VISITA AO CENTRO CULTURAL DE ARARANGUÁ – EXPOSIÇÃO RELATIVA A CULTURA INDIGENA LOCAL.
No dia 18 de maio de 2010, os (as) estudantes da Escola de Educação Fundamental Padre Antônio Luís Dias do Bairro Morro dos Conventos, em continuidade ao projeto Memória Local, acompanhados pelos professores Jairo Cesa e Lucio Vânio, de história, Tessa Souza, de Artes, Daiane, das séries iniciais, visitaram as dependências do Centro Cultural de Araranguá, para conhecerem a exposição referente as culturas indígenas no sul do estado, mais especificamente na região de Araranguá.
A apresentação da exposição ficou a cargo do estudante de história da Unisul – Araranguá, Daniel, que com desenvoltura e conhecimento do assunto relatou informações inéditas dos primeiros habitantes da região, obtidas através de escavações arqueológicas recentes. Segundo Daniel, graças as escavações feitas no sul do estado, mais precisamente no município de Rio Fortuna, chegou-se a conclusão de que a presença humana na região data de aproximadamente dez mil anos atrás, povos denominados caçadores-coletores, que habitavam as encostas das serra geral. Foram encontrados vestígios mais recentes desses povos na região de Araranguá, nas proximidades do distrito de Hercílio Luz.
É importante salientar, segundo Daniel, que em Araranguá, são os sambaquianos, os povos que habitaram a mais tempo, ou seja, a aproximadamente oito mil anos atrás. Ainda hoje, são escassos os estudos realizados acerca desse povo, embora já se tenha demarcado possíveis sítios – casqueiros, na região. O que surpreende os pesquisadores são as causas que levaram o seu desaparecimento.
De acordo com observações realizadas pelos professores historiadores Jairo Cesa e Lúcio Vânio, no Morro dos Conventos, mais precisamente nas imediações do Farol, é possível que se estabeleceu um grupo de sambaquiano.
Essa hipótese é quase confirmada em decorrência da presença de grande quantidade de cascas de moluscos ou casqueiros, depositada em uma área semicircular de aproximadamente 10 metros de diâmetro.
Embora esteja o casqueiro atualmente um pouco distante do mar, mas, de acordo com os estudos arqueológicos, o homem do Sambaqui, viveu a aproximadamente 8 mil anos. A essa data, o nível do mar era mais elevado, atingindo a base da falésia. Sendo assim, os sambaquianos, não precisavam se deslocar a grandes distâncias para buscar os moluscos, tinham apenas o trabalho de descer o morro do farol e coletar.
É importante salientar que os vestígios encontrados são apenas hipóteses da presença dos sambaquianos no Morro dos Conventos. Cabe agora uma análise minuciosa do casqueiro para confirmar ou não a presença desse povo na região.
Além dos caçadores-coletores e dos sambaquianos, também passaram por terras araranguaense, embora em menor número, os povos do tronco Jê, conhecidos como Xokleng e Kaygang. Era comum o deslocamento desses povos e possíveis contados de ambos durante o período que antecedeu a ocupação do território pelos portugueses.
Os povos kaygangs, que habitavam os campos de cima da serra, no verão, tinham por hábito migraram para o litoral na busca de alimentos. Esses deslocamentos, muitas vezes, resultavam em conflitos, principalmente com os guaranis que tinham essas terras como território demarcado.
A presença Kaygang, em Araranguá, é confirmada através de vestígios encontrados no interior de uma furna localizada na base da falésia no bairro Morro dos Conventos.
No início da década de 1990, moradores e estudantes da escola do bairro, encontraram no local, fósseis que, após realização de análises, constatou-se que os mesmos pertenciam ao grupo Kaygang.
São os Guaranis, os povos de maior incidência na região. Sua presença data de aproximadamente novecentos anos atrás. O que diferencia este povo dos demais é sua sedentarização, ou seja, no momento que migravam, escolhiam um local apropriado, perto de um lago, lagoa ou do mar, para se fixarem, desenvolvendo no local o jeito guarani de ser.
Desenvolviam uma agricultura de subsistência, cultivando milho, mandioca, além é claro, da coleta de frutos e a caça de pequenos animais como macacos, capivaras e pássaros.
O que destaca essa cultura é sua habilidade na confecção de certos e artefatos de barro. Esses objetos eram confeccionados pelas mulheres e sendo utilizados para diversos fins, tanto domésticos como para rituais funerários.
São inúmeras, segundo Daniel, a quantidade de cacos cerâmicas espalhadas pela região. O Bairro Morro dos Conventos, não fica de fora. Pois em 1994, quando da realização de uma reforma residencial, trabalhadores encontraram uma urna funerária guarani quase intacta.
A mesma, atualmente, encontra-se exposta nas dependências do museu do Centro Cultural de Araranguá.
Além de visitar a exposição que retrata a cultura indígena no município, os estudantes aproveitaram o momento para conhecerem as vestimentas referentes à padroeira do município Nossa Senhora Mãe dos Homens que está exposta na parte inferior do centro cultural.
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