Artigo Sobre a Memória Indígena de Morro dos Conventos

Educação Patrimonial e memória indígena: Oficina de artefatos cerâmicos guarani no bairro Morro dos Conventos- Araranguá

Lúcio Vânio Moraes. Doutorando em História Cultural na UFSC.
e-mail:lucio.v.m@bol.com.br
Bolsista do FUMDES
Jairo Cesa. Mestre em Educação na UDESC.
e-mail:jairocesa@yahoo.com.br

Com o objetivo de comemorar o dia do “índio”, a escola E. F. Padre Antônio Luiz Dias do bairro Morro dos Conventos, Araranguá- SC, promoverá dia 19 de abril uma oficina com artefatos cerâmicos dos guaranis. A proposta é trazer para a escola um pouco da memória desses povos que habitaram essas terras em tempos remotos e foram totalmente dizimadas com a chegada dos colonizadores.
Pouco se conhece sobre a história, memória desses povos. Sendo assim, a oficina proporcionará aos estudantes e professores um conhecimento das técnicas adotadas dos mesmos na confecção de artefatos de uso doméstico (utensílios utilizados na alimentação) a saber: jarros, vasos, panelas e outros vasilhames; urnas usadas em rituais fúnebres.
Antecedendo a oficina, serão desenvolvidas atividades com os professores com reflexões de textos objetivando a discussão da temática.
importa colocarmos que essa oficina está inserida no projeto Memória Local que a escola vem desenvolvendo desde 2008, o que instiga também a busca da pesquisa e a produção do conhecimento.
Quando foi iniciado o projeto Memória Local na escola, procurou-se delimitar um determinado período como expoente da história do bairro, ou seja, a partir da chegada de açorianos, luso-brasileiros e italianos, esquecendo-se que a história do bairro é muito mais antiga, fato esse despertado com a descoberta de uma urna funerária indígena encontrada no bairro e datada entre o século XV e XVI. Além desse artefato, existiram outros elementos, como fósseis e artesanatos, encontrados na furna do Morro dos Conventos, que revelam a presença e riqueza cultural desse grupo no bairro, na história de Araranguá e de forma geral no litoral catarinense.
O objetivo da oficina é tentar romper a visão da tradicional da história ensinada na escola, de que molda os índios como um povo homogêneo, descaracterizando sua matriz cultural plural. Desefantilizar o conhecimento desse povo é função da escola, possibilitando reflexões maduras que permite o professor em suas práticas não correr o risco de pintar o rosto das crianças e colocar cocar para comemorar o dia do índio, acreditando que assim estará contribuindo na divulgação da memória indígena. Pelo contrário, agindo dessa forma o educador estará contribuindo para a deseducação da sociedade da cultura indígena.
Com essas práticas na escola, estamos estimulando a criticidade dos estudantes e educação patrimonial, preservação da memória, identidade indígenas e exercício da cidadania.
Palavras chave: Memória indígena, história local e educação patrimonial.

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